terça-feira, 24 de setembro de 2013

A DEFINIÇÃO DA TRÍADE: ALOPATIA, FITOTERAPIA E HOMEOPATIA COM CONSIDERAÇÕES HOMEOPÁTICAS DO MEDICAMENTO PRODEN À CLÍNICA LABORATORIAL

Permito-me, nesta publicação, antes de ir diretamente ao ponto precípuo do objetivo desta página, oportunizar aos leitores, algumas definições básicas a respeito de 3 tipos de terapias por meio de uso de substâncias, a que nós, seres humanos estamos fadados a enfrentar em qualquer momento de nossa passageira vida biológica. Assim, apresentarei dados clínico laboratoriais de perfil bioquímico e hematológico em situação de tratamento com homeopatia, em princípio, visando tratar a dengue, e, em uma condição menos restrita, sintomas mais intensos de gripe. 

Toda terapia em que há o uso de substância, esta passa a se chamar de quimioterapia, embora este nome seja frequentemente utilizado apenas para pacientes que estão fazendo tratamento oncológico. O nome é pertinente a qualquer tipo de uso de substâncias, uma vez que, há química, sejam naturais ou sintéticas. O primeiro registro de que se tem notícia, do uso de uma fórmula estrutural para descrever um composto químico, foi em 1868. Mas, a química já era praticada e com o seu aperfeiçoamento chegou-se à purificação de substâncias ativas de plantas. Friedrich Sertürner, em 1805, purificou a morfina a partir do ópio. Os três grupos mais conhecidos e comercializados no mundo, legalmente, são: alopatia, homeopatia e fitoterapia. Destes, a alopatia é o grupo que mais abriga as escolhas médicas para terapia, sendo então, a homeopatia e a fitoterapia, consideradas terapias de exceção ou alternativas. Geralmente, as terapias alternativas são eficazes, porém, a existência conceitual de tempo de eficácia não se compara ao da alopatia, que, saliento, é imediatista. A Farmacologia, ciência que estuda os fármacos e pertence à alopatia, menciona muito pouco, ou não menciona, as terapias alternativas. Estabelece-se uma certa "aversão" entre a convencional (alopatia) e a alternativa, de maneira que muitos profissionais médicos, farmacêuticos, entre outros, se tornam céticos em relação aos conceitos e adesão a tais terapias, preferindo a convencional. 

Definições

Alopatia: a partir do grego állos 'outro' + páthos 'sofrimento'; o grego allopátheia significa 'sensibilidade às dores alheias'. Trata-se de um sistema de medicina que combate as doenças por meios contrários a elas, procurando conhecer a etiologia e combater as causas, sempre em sentido oposto à causa da enfermidade. Assim, suas categorias, geralmente são denominadas de "anti", por exemplo: *anti-inflamatório, antibiótico, antigripal, anti-alérgico, etc. Outro conceito, mais simples, seria a teoria em que a terapia é contrária, oposta à doença. 

Fitoterapia: do grego phyton 'planta' + therapia 'tratamento', ou seja, tratamento  das doenças sob utilização de substâncias extraídas de plantas, ou, terapia medicinal baseada no uso de fitoterápicos. Porém, todo o princípio da fitoterapia está baseado na alopatia. Antes do advento da química orgânica sintética, a farmacologia se relacionava exclusivamente com a compreensão dos efeitos de substâncias naturais, principalmente extratos botânicos. A fitoterapia não é oficialmente uma especialidade médica ou farmacêutica e também, não é uma linha medicinal popular, pois ela preconiza o uso de medicamentos preparados a partir de plantas medicinais e/ou plantas comprovadamente eficazes para determinados fins. Tanto a alopatia quanto a fitoterapia, são baseados no princípio dos contrários, enunciado por Hipócrates (450 a. C.), o pai da medicina, que disse: contraria contrarius curantur, que quer dizer: os contrários se curam pelos contrários* (* vide exemplo "anti inflamatório", em alopatia).

HomeopatiaHomöopathie, do grego, homoiopátheia,as 'conformidade de afecções ou sentimentos'. Numa outra tradução, pode ser considerado como 'moléstia semelhante'. Seu criador foi o médico alemão Samuel Hahnemann.
A teoria básica e central da homeopatia é baseada no princípio da semelhança, cujo primeiro enunciado foi, também, de Hipócrates: similia similibus curantur, cujo significado quer dizer: os semelhantes se curam pelos semelhantes. Hahnemann, então, ao perceber em uma descrição de intoxicação por quinino (que na época era utilizado para tratamento de malária) e sua notável semelhança com o quadro clínico da malária, percebeu nisto, o princípio da semelhança. A homeopatia é caracterizada por ser um tipo de terapia que visa a 'não toxicidade'. Para isto, é preparada por processos de ultradiluição e dinamização, onde, seja no comprimido, no glóbulo ou na solução, encontra-se concentrações infinitamente diluídas dos princípios extraídos do reino animal, vegetal e mineral e os riscos sanitários são quase zero, e em sua maioria, considerando algumas exceções, não é necessária prescrição médica. 

Em conceitos farmacológicos, terapêuticos e médico científicos, droga é toda substância química de estrutura conhecida, que não seja um nutriente ou um ingrediente essencial da dieta, que, quando administrada a um organismo vivo, produz efeito biológico. Podem ser sintéticas, obtidas de plantas ou animais e até mesmo obtidas por técnicas de engenharia genética. Não é possível aplicar este conceito, de droga, à homeopatia, uma vez que a ultradiluição e a teoria aplicada na terapêutica não são coesas com os conceitos de "resposta biológica" incitada por uma droga. Assim, a alopatia, e isto inclui a fitoterapia, podem ser entendidas como a utilização de drogas, ou de fármacos, ou de substâncias químicas, ou de princípios ativos, ou de extratos medicinais que interferem fisiologicamente com o organismo, uma vez, em contato. A homeopatia busca ajustar o organismo a um outro nível de equilíbrio homeostático sem interferir fisiologicamente na biologia do organismo. Ela induz o organismo a reagir contra a doença, sem interferir nos mecanismos causadores da doença e, sem interferir nos mecanismos biológicos que são alvos dos processos patológicos. Tal fato pode ser reforçado quando considera-se que, para a homeopatia, cura significa um estado de 'equanimidade', que é conseguido por mudança do estilo de vida no sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida em outros aspectos. Hoje, sabe-se que os fármacos são, até certo ponto, eficazes, porém todos estão sujeitos a provocarem reações adversas, efeitos colaterais, inclusive a fitoterapia, que por lei, alguns produtos são trajados. Outro fator a ser considerado é que a alopatia por interferir diretamente na fisiologia do organismo, pode comprometer os sistemas a serem "dependentes" do fármaco (droga), uma vez que a atuação é na contra-mão da biologia natural do organismo. Já a homeopatia, tem por atuação, a não interferência, a não causa de efeitos colaterais e reações adversas e não vai na contra-mão biológica. Pelo contrário, ela estimula o organismo, na direção dos sintomas de uma doença, obrigando o organismo, naturalmente, aprimorar-se biologicamente e combater e/ou prevenir determinada enfermidade. Além disso, já há publicações científicas, comprovando a ação de princípios ultradiluídos em diversas áreas médicas, com resultados surpreendentes na cura e combate, por exemplo, do câncer de cérebro e de mama.

Enfim, dados estes conceitos diferenciais, consideremos que, atualmente, a dengue é uma doença complicada. Foi descrita pela primeira vez em 1780, na Filadélfia. Já a transmissão pelo Aedes aegypti e a etiologia viral foram descritas em 1906. Tornou-se um problema global de saúde pública e nos últimos vinte anos tem emergido como a mais importante das doenças humanas transmitidas por artrópodes. Patogênese da dengue: a dengue clássica produz infecção auto limitada em humanos, cujas características à biópsia de lesões cutâneas mostram edema de células endoteliais de pequenos vasos, edema perivascular e infiltração de células mononucleares. A doença hemorrágica da dengue, em humanos é caracterizada principalmente por extravasamento de plasma capilar difuso e diátese hemorrágica. O quadro clínico caracteriza-se pelo período de incubação, de dois a sete dias, com febre alta, cefaleia  dor retrobulbar e lombossacral, congestão de conjuntiva, vermelhidão facial. Um rash transitório e generalizado pode aparecer no 1º ou 2º dia. O diagnóstico diferencial inclui influenza, rubéola, malária, tifo, leptospirose, sepse bacteriana e outros arbovírus que causam síndromes semelhantes. A sorologia com o isolamento do vírus de células mononucleares (por RT-PCR), inibição da hemoaglutinação, fixação de complementos ou neutralização, são atualmente as técnicas utilizadas, além de ter a confirmação por IgM por técnica de ELISA, que é específica. Contudo, sabe-se também que o uso de medicação é muito restrito no tratamento da dengue, considerando os potenciais riscos ao desencadeamento de hemorragia. Assim sendo, um estudo preliminar (não publicado) feito com medicamento homeopático à base de Crotalus horridus, Eupatorium perfoliatum e Phosphorus, foi testado, com nome de "Proden" (Laboratório Almeida Prado), com aprovação pela ANVISA. Este medicamento é indicado no tratamento dos sintomas da dengue. O estudo foi feito em animais e humanos e trouxe um perfil clínico laboratorial, que exponho a seguir.
Em São José do Rio Preto-SP, em 2001, iniciou-se estudo preventivo de dengue com medicamento homeopático Proden (Almeida Prado). O bairro Cristo Rei foi o que apresentou maior incidência de dengue, na época. dos 4850 habitantes do bairro, 40% recebeu o medicamento preventivo. O resultado culminou em 81,5% de redução significativa da incidência de dengue no bairro. Em animais, parâmetros como volume de urina, consumo de água e peso corporal não foram alterados. entre os parâmetros clínicos, as séries, vermelha e branca do hemograma se mantiveram normais, tanto em machos como em fêmeas. A normalidade dos valores também ocorreu tanto em machos como em fêmeas, para os parâmetros bioquímicos: bilirrubina total, direta e indireta; creatinina, glicose sérica, potássio, sódio e uréia, bem como da TGO e TGP. O autor conclui que há possibilidades de tratar com segurança os pacientes, principalmente, porque nos estudos em animais, não foram observados nenhum tipo de efeito tóxico-colateral (Vaz et al, 2009).


Referências

BAROLLO, R. C. - O que é?... Como é?... E o porquê? da homeopatia, 3ª ed. Pharmabooks 2012.
HARAGUCHI, L. M. M.; CARVALHO, O. B. - Plantas medicinais, 2010.
RANG & DALE FARMACOLOGIA 6ª Edição, Elsevier Editora Ltda, 2007.