sábado, 17 de novembro de 2012

FEBRE, DO PONTO DE VISTA LABORATORIAL

Por definição, febre é o aumento regular da temperatura para um novo ponto de ajuste hipotalâmico - vide artigo do blog 'Fisiopatologia' - 
(http://fisiologia-patologia.blogspot.com.br/2010/06/febre-abstract-da-fisiopatologia.html). Contudo, há de se considerar que a presença de citocinas podem causar desajustes outros, que se refletem em vários sistemas. Para tanto, é necessário traçar o perfil da febre por meio de avaliação de parâmeros laboratoriais. Hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), avaliação dos níveis de proteínas de fase aguda, como proteína C reativa (PCR), alfa-1-glicoproteína ácida (α-1-GA) e hemocultura (em caso de suspeita de agente infeccioso.

Hemograma
Série branca - pode apresentar leucocitose com desvio à esquerda, granulações tóxicas, corpúsculos de Dohle, eosinopenia. De maneira isolada, ou conjunta, estes parâmetros podem ser indicativos de provável infecção bacteriana. Caso esteja presente, a linfocitose aponta para doenças virais, considerando a atipia linfocitária, quando em etiologias clássicas, como toxoplasmose, mononucleose infecciosa e rubéola.

Velocidade de Hemossedimentação (VHS)
Amplamente disponível, o VHS é um exame inespecífico, porém é um considerável coadjuvante na diferenciação de doenças infecciosas. Isto é considerável, pois em doenças cuja origem etiológica é viral, o VHS não aumenta. Em especial, relacionado à febre, nas doenças inflamatórias  tem especial importância, apresentando valores quase inexistentes (abaixo de 100 mm/hora).

Proteínas de Fase Aguda
Em casos de inflamação, a PCR é utilizada, por ser um marcador direto de inflamação. Geralmente, apresenta-se em níveis elevados.

Alfa-1-Glicoproteína Ácida (α-1-GA)
É um marcador inespecífico, elevando-se em variados estados infecciosos. 

Hemocultura
As hemoculturas são utilizadas em caso de suspeita de sepse, ou até para monitorar a evolução do tratamento da sepse. Também  a hemocultura pode ser utilizada na averiguação de achados clínicos localizados, como abscessos. 

Dentro destes parâmetros é perfeitamente inteligível que, seja ou não por infecção, a febre, de alguma maneira se manifestará em estados de inflamação, por conta da presença aumentada de citocinas inflamatórias.


Referências

DINARELLO, CA. Thermoregulation and the pathogenesis of fever. Infect. Dis. Clin. North. Am. 1: 43,1996.

HAMERSCHLAK, N. et al. Incident of aplastic anemia and agranulocitosis in Latin America: the Latin study. São Paulo Med. J. 123: (3) 101-104, 2005.

JOSÉ, F.F.; LOPES, R.D. Febre, in: LOPES, AC. Guia de clínica médica, ed. Manole - Barueri,  p.703-710, 2007.