segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL EM PACIENTES INTOXICADOS POR DROGAS DE ABUSO

Atuação do laboratório clínico na detecção de intoxicações por drogas de abuso é extremamente importante. As principais e mais utilizadas substâncias que de forma abusiva promovem dependência, são o Álcool (Etanol), Maconha (canabinóides), Cocaína (derivados), Anfetaminas (fármacos de uso controlado), Opióides (fármacos de uso controlado) e LSD (alucinógeno). Abaixo, está relatado brevemente as principais formas diagnósticas toxicológicas do uso abusivo de drogas.

ETANOL – pode ser avaliado qualitativa e quantitativamente no suor, urina, sangue e ar expirado. Métodos imunológicos e químicos são extremamente sensíveis e confiáveis para avaliação quantitativa. Ao contrário de outras drogas de abuso, os níveis plasmáticos (PL) do etanol é diretamente proporcional entre a dose ingerida (D) e o efeito causado (E), segundo a fórmula: (PL = D x E).
MACONHA – detecção de seu metabólito no sangue e/ou urina: Δ9-Tetrahidrocanabinol (THC). Segundo dados utilizados pelo governo dos EUA (Fed Reg 59:29908-81, 1994; LIU, RH. Evaluation of common immunoassay kits for effective workplace drug testing. In: LIU, RH. GOLBERGER, BA. eds Handbook of workplace drug testing. Washington, DC AACC press, 70, 1995; Fed Reg 62: 51118-20, 1997; NEWBERRY, RH. Drug urinalysis testing levels. Department of Defense Memorandum, 1997; Fed Reg 53:11963, 1988; IRVING, J. Drug testing in the military: Technical and legal problems, Clin Chem, 34: 637-640, 1988) para confirmação das mensurações quantitativas dos níveis tóxicos, o THC obtém os seguintes: 15 ng/mL, dosados por cromatografia gasosa-espectrometria de massa, enquanto que entre os canabinóides em geral, por imunoensaio enzimático, o valor de corte é de 50 ng/mL. As diretrizes preliminares do Substance Abuse and Mental Health Service Administration (SAMHSA) para programa federal de teste para detecção de drogas no ambiente de trabalho (dados divulgados em abril de 2006), os valores para canabinóides THC são: urina = 50 ng/mL; fluidos orais = 4 ng/mL; suor = 4 ng/adesivo; cabelos = 1 pg/mg. De forma geral, com relação ao imunoensaio, o THC pode ser detectado em um indivídio abstinente até 4 semanas ou nos mais inveterados, até 46 dias. Por fim, um resultado de triagem positiva para THC-COOH obtido por imunoensaio é confirmado por análise por cromatografia gasosa-espectrometria de massa em amostra de urina.
COCAÍNA – ECG, hemograma, radiografias de tórax e abdome e urinálise devem ser obtidos rotineiramente, contudo, há testes específicos para detecção de cocaína. A quantificação sorológica não oferece nenhum valor clínico, mas sim, poder para finalidades forense. Os metabólitos da cocaína (benzoilecgonina e ecgonina-metil-éster) na urina tem valor diagnóstico.
ANFETAMINAS - podem ser identificadas na urina por meio de imunoensaio, que faz a triagem da maioria das anfetaminas e metanfetaminas. A análise confirmatórioa por cromatografia gasosa-espectrometria de massa é importante ser realizada, objetivando distinção do uso abusivo do uso medicamentoso.
OPIÓIDES – Os opióides pode ser identificados na urina por imunoensaio com confirmação or meio de cromatografia gasosa e espectrometria de massa.
LSD (dietilamida do ácido lisérgico) – detectável na urina e plasma, sendo este último com certa dificuldade. Contudo, sua determinação quantitativa torna-se inútil.

Mediante estas descrições, inclusive da metodologia aplicada na execução do teste laboratorial, que, embora muito específica, não deve sofrer interferências interpretativas por leigos ou não profissionais, tendo em vista que há muitas informalidades atuando como intermédio na recuperação de dependentes químicos, contudo, o diagnóstico informal é desconhecido, assim, não oficializando nenhum tipo de parecer que não seja clínico e que tenha laudo clínico laboratorial válido. Todas as condutas, tanto clínicas quanto clínico laboratorial são estabelecidas consensualmente, com base em diversos estudos, inclusive de cunho jurídico que mostraram as metodologias mais sensíveis à fidedignidade tanto quantitativa como qualitativa das mensurações dos valores dosados. Destacou-se com louvável honra a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa como confirmatório extremamente sensível do teste de imunoensaio enzimático. Estes testes, ainda pouco acessíveis à classe C, são extremamente confiáveis na maioria das aferições mensuradas em medicina laboratorial.

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