terça-feira, 10 de agosto de 2010

A IMPORTÂNCIA DOS VALORES DE REFERÊNCIA E SEUS PARÂMETROS REGULADORES MAIS IMPORTANTES NA INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL DE UMA ANÁLISE.

Valor de referência é conceituado como sendo o valor obtido por observação ou mensuração da quantidade de determinado material.  Para se estabelecer um valor de referência, como o nome já diz, deve ser obtido o material de um grupo de determinada referência válida em que, a partir deste valor, possa firmar as conclusões sobre alterações de valores mensurados em determinado grupo. Em suma, é a referência  de base. Para isto, todos os grupos de indivíduos referenciados devem ser claramente definidos, as condições sob as quais as amostras são obtidas, bem como seu processamento. Além disto, alguns dados complementares devem ser levados em consideração, como o conhecimento da fisiopatologia da doença, a epidemiologia e alguns fatores, como sensibilidade e especificidade, que contribuem para que o resultado possa ser avaliado e o grau com que ele deva ser avaliado. Tudo isto deve passar pelo tratamento estatísco, que leva em consideração a partição dos valores de referência em grupos designados, inspeção da distribuição de cada grupo e a identificação dos valores discrepantes para que sejam determinados os limites dos valores de referência. É importante salientar que todos os procedimentos, devem ser cuidadosamente seguidos à risca, em cada passo e todos os grupos analisados devem receber exatamente os mesmos procedimentos. Isto exige um grande esforço disciplinar para que a eficácia alcance êxito. Na prática clínica, um valor observado de um paciente geralmente é comparado com o intervalo de referência correspondente, o qual é restrito por um par limite de referências, isto é, o menor valor limite e o maior valor limite. Este par, é, na verdade, o intervalo no qual houve a observação dos grupos para o estabelecimento dos valores referenciais e isto mostra que, dentro da faixa referencial, qualquer valor encontrado é tido como "dentro dos valores de referência", isto é, não ultrapassou o limite mínimo nem o limite máximo. São considerados "normais". Entretanto, os valores de referência são também confundidos com os limites de decisão clínica. Isto é uma prática considerada inapropriada, já que este último, fornece uma separação ótima entre as categorias clínicas e têm base nos valores de referência.
Não se pode excluir o fator "arbitrariedade" quando se considera a definição do intervalo de referência com um intervalo central de 95% limitado pelos percentis 2,5% e 97,5%, mas também, não deixa de ser convencionalmente comum considerar esta interpretação.  Há de se considerar, obviamente, que existe uma correlação ao se aferir a precisão do estudo determinador do valor de referência com o número (n) da amostra a ser analisada. A correlação é baixa quando um baixo n é analisado. Proporcionalmente, quanto maior o n da amostragem, mais preciso é o resultado observado. É importante então, neste caso, compreender a utilização de métodos coerentes e que ajudam na obtenção dos valores observados serem confiáveis e precisos. O método paramétrico, com base em valores estabelecidos pela média e o desvio padrão (DP), mas, claro, a distribuição gaussiana e os limites de referência devem ser determinados como 2DP, abaixo e acima da média. Já o método não paramétrico não assume nenhum tipo de distribuição, isto é, considera-se um valor de corte. Pode-se até haver o confronto dos resultados entre os dois métodos, ao que parece, teoricamente, devem apresentar resultados semelhantes. Outro fator importante, é considerar dois aspectos que são indispensáveis na obtenção de um resultado, pois mostram quão eficiente é o teste em relação à população examinada. Sensibilidade, mostra que realmente há presença da doença pesquisada em uma população doente. Especificidade mostra que realmente não há a presença da doença e que o ensaio mostra corretamente.  Tudo isto, além de outros detalhes devem ser cotidianamente considerados em relação à todas as análises, e seus padrões mudam para cada analito, região, população, epidemiologia em que se encontra cada ponto da amostragem. Qual a influência que podemos observar com todos estes parâmetros? No profundo, a interpretação final, o diagnóstico e o prognóstico são melhores compreendidos, mais eficazes, e quem ganha com isto é o paciente, que tem um direcionamento muito mais preciso e exato na terapêutica de sua patologia. Para o profissional, uma realização no mímino com sensação de dever cumprido da melhor maneira, e por que não dizer, um ato tecnicamente imaculado.

Bibliografia

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 - HARRIS, EK.; BOYD JC. Statistical bases of reference values in laboratory medicine. New York: Marcel Dekker, 1995.
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