quarta-feira, 7 de julho de 2010

LABORATÓRIO CLÍNICO NA DOENÇA RENAL - DIAGNÓSTICO DE MICROALBUMINÚRIA - UPDATE.

A análise da urina é um meio simples, de baixo custo e não invasivo para diagnosticar doença renal. Achado de sangue na urina é anormal, indica a presença de hemácias intactas. Também pode-se encontrar proteínas, principalmente albumina na urina, estado este que denomina-se, de forma generalizada, proteinúria, geralmente frequente nos achados urinários de pacientes renais e transitoriamente em pacientes febris, portadores de ICC ou após atividade física de média a alta intensidade. Em alguns casos de doença renal, a presença de albumina é evidente, mas em baixos níveis urinários, daí então, denominá-los de microalbuminúria (> 20 mg/min e < 200 mg/min). Diversos estudos sugerem que na fase de doença renal associada ao diabetes insulino dependente há excreção aumentada de albumina, oriunda de lesão glomerular. A microalbuminúria possui um padrão de monitoração em que pode-se avaliar a progressão da doença renal. Valores entre 30-300 mg/24 h é associado ao quadro progressivo de doença renal com aumento da morbidade e mortalidade cardiovascular principalmente em hipertensos e diabéticos. A proporção urinária albumina/creatinina de 30 mg/g sugere microalbuminúria, com recomendações de repetição do teste em caso de anormalidades no primeiro teste. Atualmente, métodos imunológicos com anticorpos, nefelometria ou radioimunoensaio são relevantes na detecção da microalbuminúria. Ainda assim, existe o método Clinitek microalbumina (Bayer Diagnostics, Tarrytown, NY) contudo, não possuem especificidade para albumina, uma vez que, também o corante pode detectar a presença da proteína de Tamm-Horsfall. A nefropatia diabética é uma síndrome clínica caracterizada por albuminúria persistente, isto é, níveis urinários acima de 300 mg/24 h e um declínio inexorável da TFG acompanhado de hipertensão.  No diabetes tipo 1 a microalbuminúria pode regredir ou se estabilizar proporcionalmente ao controle glicêmico e pressórico sanguíneo. Segundo estudos divulgados pela ADA em 2000, o limite superior da faixa de microalbuminúria (200 mg/min) corresponde à excreção de 500 mg de proteínas/24 h. Contudo, em termos de solidez diagnóstica, é patente a confirmação de microalbuminúria na nefropatia diabética utilizando a razão albumina/creatinina de 30 mg/g. Este método é 100% sensível e específico. Os estudos iniciais sobre o papel da microalbuminúria como fator de risco para nefropatia diabética e doença microvascular foram realizados em amostras de urina de 24 horas ou de repouso, uma vez que existe grande variabilidade intra-individual, devido a fatores variados, na taxa de excreção de albumina. Atualmente, observa-se correlação significativa (r = 0,902; p < 0,01) entre a relação albumina/creatinina em amostras isoladas de urina (segunda micção da manhã) e excreção urinária de albumina em amostras de repouso. Apesar de um relato detalhado mostrar uma variabilidade circadiana no clearance renal de proteínas em pacientes com síndrome nefrótica, alguns estudos, analisando os mecanismos de excreção glomerular e tubular de proteínas, demonstraram que a análise da segunda urina da manhã fornece o mesmo resultado que amostras de 24 horas, tornando desnecessária a coleta de urina de 24 horas. Atualmente, segundo a literatura e as associações médicas internacionais, é viável utilizar esta razão Albumina/Creatinina (mg/g) para delinar o diagnóstico de microalbuminúria na doença renal associada à nefropatia diabética.


Bibliografia
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