terça-feira, 23 de março de 2010

ANEMIA: UMA BREVE ABORDAGEM DOS CONCEITOS CLÍNICOS E FISIOPATOLÓGICOS

Conceito: é aplicado o termo anemia a situações que possuem certo grau de complexicidade e de diferenciação. Por exemplo: Eu posso dizer que um paciente é anêmico ao constatar que seu eritrograma mostrou valores de hematócrito muito baixos. O hematócrito é a medição da densidade eritrocitária por milímetro cúbico de sangue. Eu também posso dizer que o paciente é portador de anemia quando eu constatar por meio de eritrograma que dentro dos valores dos índices hematimétricos há déficit de hemoglobina e estes valorese devem ser compatíveis com o valor da hemoglobina, que certamente estará aquém dos valores mínimos exigidos para a condição fisiológica de homeostasia. Atualmente, quando um paciente apresenta anemia, seus valores de hemoglobina devem expressar-se abaixo  de 13 mg % no sexo masculino adulto e abaixo de 12 % no sexo feminino adulto. Sob ponto de vista etiopatogênico, duas são as condições que podem levar ao hematócrito diminuído: (1) - concentração de Hemoglobina e (2) - concentração de hemácias. Estas duas variantes, podem nos fornecer dois grandes parâmetros clínico importantes: (1) - anemia verdadeira: caractarizada pela redução da massa eritrocitária e (2) - a anemia relativa: quando há aumento do volume plasmático sem aumentos correspondentes da massa eritrocitária.
A anemia pode ser instalada por diversas causas: Hemorragia (aguda ou crônica), por deficiências na produção eritrocítica, por distúrbios na diferenciação celular durante o processo de produção eritrocítica, por hipóxia, por hemólise, por alteração na síntese de hemoglobina, pela deficiência de fatores. Clinicamente as manifestações são bastante variadas, mas, ocorrem níveis baixos de hemoglobina associados à sintomatologia mais intensa. Pode haver comprometimento cardíaco, mas de forma geral, todas as manifestações clínicas são decorrentes da hipóxia causada pela redução do transporte de oxigênio do sangue. Dentre os sintomas ocasionados pela hipóxia a cefaléia, vertigens, tonturas, lipotimia, zumbidos, fraqueza muscular, cãibras, claudicação intermitente e angina. Após os sintomas ocasionados por hipóxia há, fisiologicamente, a manifestação de mecanismos que buscam compensar os comprometimentos e reverterem o estado no momento. São os chamados mecanismos compensatórios, que buscam aumentar o volume-minuto cardíaco, aumentam a redução da resistência vascular periférica global, há amplificação da redistribuição do fluxo sanguíneo tecidual e um fator muito importante, há grande redução da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio. A anemia pode ser manifesta atualmente por uma doença de base. Uma úlcera péptica pode levar á anemia ferropriva. Outras manifestações já são relacionadas à anemia de forma direta, como hemorragias, infecções durante estados de anemia aplástica e leucemias agudas, icterícia e esplenomegalia nas anemias hemolíticas, parestesias e outras manifestações neurológicas na anemia perniciosa, dores ósseas, fraturas sob trauma mínimo, mieloma múltiplo, etc.
Deve haver uma investigação minuciosa. Muitos profissionais encaram a anemia com uma "doencinha" corrigível, mas na verdade, é uma doença complexa com múltiplas faces e ocasionada por diversas vias etiopatogênicas, algumas incuráveis. Suas manifestações devem ser cuidadosamente avaliadas.


Bibliografia

CARWRIGHT, GE.; The anemia of chronic disorders. Semin Hematol. 3:351-75, 1966.


SPIVAK, KL.; The blood in systemic disorders. Lancet. 355:1707-12. 2000.


ZAGO, MA.; O paciente com anemia, in: Hematologia - Fundamentos e prática. 103-113, ed. Atheneu, 2004.


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