sábado, 5 de dezembro de 2009

PARALISIA FACIAL E SUAS ETIOLOGIAS


Hemiplegia facial, hemiparesia facial são termos que respectivamente significam: paralisia de um lado da face - fraquesa muscular de um lado da face. São ocorrências  não muito frequêntes, mas, que podem ser desencadeadas por etiologias diversas. Uma delas, a otite média, pode ser um fator etiológico associado à paralisia facial periférica, sendo mais comum em crianças. Dentre todos os casos de paralisia facial, este tipo atinge entre 1 a 4 % da casuística, mostrando-se significativamente de baixa incidência. A etiologia da paralisia facial pode ser dividida em: traumática, infecciosa, neoplásica, metabólica, congênita, vascular, tóxica e idiopática. A paralisia facial de ordem traumática pode acometer os indivíduos sob várias formas, como por exemplo: Objectos cortantes ou perfurantes; Projéteis de arma de fogo na face; Acidentes automobilísticos; Traumas cirúrgicos; Entre outros.  Podemos ter algumas lesões do nervo facial de origem infecciosa, como: Meningite: com comprometimento da bainha do nervo craniano, as reações inflamatórias ou exsudativas causam paralisia facial. Otite: ocorre compressão, inflamação ou mesmo destruição do nervo facial, pois a otite pode-se apresentar desde uma leve supuração até a necrose dos ossos. Herpes Zoster: ocorre por um processo inflamatório agudo em gânglios sensitivos, o vírus atinge por um processo desconhecido, nervos do mesmo lado de um corpo. Ocorre o aparecimento de vesículas, dores, diminuição sensibilidade e por fim a paralisia do nervo. As lesões do nervo facial pelas neoplasias podem dar-se por: Compressão do nervo ou destruição do mesmo, devido ao processo neoplásico; As neoplasias mais comuns são: da glândula parótida, do tronco cerebral e quarto ventrículo, do ângulo ponto cerebelar na base do crânio. Nas disfunções metabólicas temos: Os diabéticos, por exemplo; Há dois tipos de paralisias faciais congênitas: Não desenvolvimento dos núcleos celulares pontinos, que dariam origem às fibras do nervo facial. Paralisia facial do tipo "Heller", que consiste na não formação do pavilhão da orelha e outras estruturas circunvizinhas. Em nível vascular: Bloqueio na circulação arterial que nutre o nervo pode causar a paralisia facial. Em relação à etiologia tóxica: Somente a Toxicose pode causar lesão isolada do nervo facial, pois as demais lesões por agentes tóxicos fariam com que o nervo facial fosse mais um nervo afetado, já que há um quadro polineuropatia.  Etiologia idiopática: é uma causa que não é conhecida; Geralmente, em casos de otite ou rinisinusite a paralisia é originada pelo fato de haver lesão em gânglios ou ramos nervosos próximos ou no local da infecção. No caso das otites médias, o gânglio geniculado está muito próximo à infecção e por isto decorre em paralisia. Nestes casos, deve-se ressaltar que tratam-se da infecções causadas em sua grande maioria pela ação de bactérias. Exames como a cultura da secreção da orelha para identificação do patógeno é um dos exames indispensáveis. O tratamento é feito com antibiótico. Existem casos mais complicados onde procedimentos cirúrgicos são empregados para a reversão do quadro de paralisia - neste caso a mastoidectomia de descompressão do nervo. Devido às teorias, de que possa haver infarto do nervo pela infecção, o que é possível sob o ponto de vista vascular, há a introdução de vasodilatadores para melhor oxigenação tecidual, o que pode evitar a terapêutica cirúrgica em caso de sucesso nesta primeira terapia. Existem casos em que não há presença de bactérias, mas sim de rinosinusite ou até mesmo um outro agente etiológico para a causa da doença - vírus do herpes. Neste caso, faz-se o tratamento à base de glicocorticóides em doses altas e decrescentes, antiviral e um vasodilatador. Exames como tomografia computadorizada, audiometria, ressonância magnética e eletromiografia são utilizados para monitorar o quadro clínico e sua evolução a fim de estabelecer um prognóstico. Geralmente, 15 dias são necessáriaos para que as manifestações da terapia antiviral sejam concluídas, possivelmente com sucesso. No caso da rinosinusite, a terapia antinflamatória é a melhor saída. Dentre as complicações que podem ocorrer oriundas das otites, estão: vertigem, febre persistente, dor retroauricular, nistagmo - movimento incontrolado e involutário dos olhos - surdez paralisia facial periférica, cefaléia, confusão mental entre outras manifestações. O fato é que uma análise sobre as teorias existentes para as possíveis etiologias da paralisia facial, geralmente sobre o nervo facial, independe do agente que a causa, mas é evidente negar nestes casos que o nervo facial não seja acometido e que, portanto, a fisiopatologia deste quadro ainda não pode ser expressa como um mecanismo único e comum. 


Nestas figuras, há representação da distribuição do nervo facial (esquerda), mostrando que o acometimento pode ocorrer em várias regiões da face e a expressão facial após o acometimento (direita).

Nesta figura, estão marcadas as regiões de desvio de septo nasal e apresentação pneumática das conchas nasais esquerdas com formato em esporão.




BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Yonamine, F. K.; Tuma, J.; Silva, R. F. N.; Soares, M. C. M.; Testa, J. R. G. - Facial paralysis associated with acute otitis media - Brazilian Journal of Otorhinolaryngology - 75 (2) - 228-230, 2009.

Munhoz, M. S. L.; Ganaça, F. F.; Ganaça, M. M.; Silva, M. L. G.; Caovilha, H. H. - Distúrbios da audição in Diagnóstico e Tratamento -  Antonio  Carlos Lopes - vol. 1.  editora Manole  Barueri - SP - 760-781, 2006. 
 
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